terça-feira, 29 de abril de 2008

Detalhe

ah, realidade!...
a realidade...
é só um passatempo.
E quanto aos sonhos , isso sim eu levo a sério.
Nossa imaginação é o único lugar
onde somos de fato livres
(aprendi com um professor de química ,já que química eu nunca aprendi)
e é uma liberdade que não vem de graça :
o medo do ridículo, o medo do inconcreto , o medo do fracasso sempre nos oprime.
Mas quando a gente sonha , é como se derrubássemos todas as Bastilhas,
e porões que nos confinam:
o sonho o alarme do levante.
é o grito de guerra , o canto de liberdade.
Quanto mais nos utilizamos do recurso abstrato do sonho, mais reais nos tornamos.
Só pra passar o tempo...
Thiago Teixeira

terça-feira, 8 de abril de 2008

Matéria de Poesia

Todas as coisas cujos valores podem ser
disputados no cuspe à distância servem para a poesia

O homem que possui um pente
e uma árvore
serve para a poesia

As coisas que não levam a nada
têm grande importância

As coisas que não pretendem,
como, por exemplo: pedras que cheiram, água,
homens que atravessam períodos de árvore,
se prestam para a poesia

Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma
e que você não pode vender no mercado
como, por exemplo, o coração verde dos pássaros,
serve para a poesia

Os loucos de água e estandarte
servem demais
O traste é ótimo
O pobre diabo é colosso

Pessoas desimportantes
dão para poesia
qualquer pessoa ou escada

O que é bom para o lixo é bom para a poesia
As coisas jogadas fora
têm grande importância -
como um homem jogado fora.

Manoel de Barros