terça-feira, 24 de junho de 2008

Sobre corpos e ganas

Se a mulher caminhava
a saia dela
se abria e se fechava

Um olho via
o que saia mostrava
enquanto se abria

E desejava
o que a saia escondia
quando se fechava

E rezava
para que se movesse
se a mulher parava

Se ela se movia
a longa saia
se fechava e se abria

E revelava
o que o olho mais queria
a alma mais ansiava

Na fenda aberta
o relâmpago
da perna exposta

Era mancha de sol
limpando a carne
de todo mal

Um olho comia
a mulher anônima
e ela nem sabia

Dois Santos dos Santos

terça-feira, 10 de junho de 2008

Griffe

Comprei um jeans staroup
Só pra ver se meu bem
me queria
(não quis)

Tentarei com Calvin Clain
Lee Levi´s Zoomp

(se nada disso resolver
Ficarei pelado)


Luiz Vitor Martinello

terça-feira, 3 de junho de 2008

Caderno de poesia

Caderno poético:
retrato meu
riscado à mão.
Cada verbete em si
me revela, seduz;
e eu sou eu
desnuda para ti
um bom leitor.
Por favor,
ao ver assim meu coração
despido,
não me faças mal.
De todos os erros,
não há hoje só um
que eu não queira ter cometido.

Julieta Rodrigues