O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só as que ele não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
Fernando Pessoa
sexta-feira, 16 de maio de 2008
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Infância
No meio do caminho desta infância
achei-me em terras nebulosas.
Por entre delírios sinestésicos
guiou-me sabiamente minha mãe.
Tal como um titã,
juntei continentes silábicos
e formei minhas pangéias.
A partir daquele momento,
meus olhos cegos podiam ouvir
as imagens que eu copiava.
Giovanni
achei-me em terras nebulosas.
Por entre delírios sinestésicos
guiou-me sabiamente minha mãe.
Tal como um titã,
juntei continentes silábicos
e formei minhas pangéias.
A partir daquele momento,
meus olhos cegos podiam ouvir
as imagens que eu copiava.
Giovanni
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